Salvar o mundo não é minha “praia”

Ultimamente tenho vivido momentos que me convidam a fazer boas reflexões, tanto através das histórias que me atravessam, quanto das que escuto. Não são histórias de sucesso, superação ou comoventes… Não! São pequenas histórias cotidianas, atuais ou passadas que vão ocupando a mente, e, de repente, fazem um sentido no hoje, muito diferente do que significavam no passado, mudando a cada momento a minha forma de ver o mundo. Mas não se preocupe, não pretendo dar conselhos a ninguém, e nem me vejo hoje ocupando o papel de conselheira, mas, nem sempre foi assim.

Sou filha de um pai, já falecido, que era convicto de seu legado como “salvador dos mais fracos”, cresci vendo ele comprar muitas causas impossíveis pelo simples fato das pessoas se intitularem injustiçadas, bastava que o sofrimento da pessoa lhe parecesse real e pronto! Já estava meu pai defendendo tal “causa”. E claro, minha mãe sempre tentando dar a ele uma visão mais ampla da coisa, mas em vão, pois ele estava destinado a “salvar o mundo”. Então, sofrendo essa influência, claro que durante uns bons anos da minha vida, eu também imaginei que pudesse “salvar o mundo”, mesmo que o mundo não quisesse ser salvo… risos…

Hoje eu penso que a melhor forma de ajudar alguém é respeitar o quanto essa pessoa deseja minha ajuda e, mais que isso, o quanto eu de fato sinto-me capaz, partindo do princípio que não posso dar aquilo que não tenho.

E sim! Mesmo com minha formação em psicologia ou como coach, nem sempre me sinto capaz. Dependendo do que se apresenta no discurso do meu coachee, sou clara e recomendo, não raras vezes, outro profissional, normalmente da área da psicologia.

Tenho visto nos relatos dos meus coachees, muitas posturas autodestruidoras em função de problemas que não são seus, e sim do que pensam em relação a seus “salvadores” ou do que acham que seus “salvadores” esperam deles… OPS!!! Esse é o preço de ter “salvadores”.

Não que as pessoas que ajudam outros requeiram o “pagamento”, mas a relação de “gratidão/obrigada” se institui, e a pessoa que recebe a ajuda, desprovida de uma boa reflexão a respeito do que são suas prioridades e suas limitações existenciais, acaba colocando a necessidade ou os interesses do seu “salvador” à frente dos seus, não conseguindo entender a vida de uma forma diferente dessa.

Todo esse movimento é sutil e quase sempre inconsciente, é um jogo, uma regra estabelecida desde que o “mundo é mundo”, por isso, é tão difícil de ver e reconhecer, e mais difícil ainda mudar.

Para lidar com essas questões, é necessário em primeiro lugar, desenvolver habilidades que promovam o autoconhecimento, pois na maioria dos casos as pessoas realmente não têm ideia de quem são.

Quando fomos educados socialmente, nós recebemos instruções para uma série de padrões de comportamento que faziam muito sentido na infância, só que não estivemos atentos às adaptações que precisaríamos fazer quando o jogo da vida realmente começasse a acontecer, onde os questionamentos e a realidade que se apresentam são bem diferentes, dos que os vividos em nossa infância.

Mas, que tal trocarmos a lente? Vamos pensar na perspectiva humana em uma triangulação: eu, o outro e a sociedade. Agora vamos, começam com algumas perguntas: Quem sou? Quem é o outro? O que quero construir na minha história? Se conseguirmos estabelecer a identidade do “eu” ficará mais fácil de saber quem é o outro e, consequentemente, qual será o papel de cada um na construção de sua própria história.

Tenho visto inúmeros casos de pessoas que vivem uma vida que não as pertence e que não sabem se comportar sem que alguém as salve. Vejo esse problema como algo de extrema seriedade, pois ter um “salvador” significa não ter a liberdade de escolha, ou viver o prejuízo das perdas ou dos erros… Os “salvadores” não têm ideia do prejuízo que causam a si e ao outro. A si, por aprisionar-se na “obrigação” de ser o “salvador”, ao outro, por tirar dele a liberdade de errar e através disso criar oportunidades de crescimento e independência.

Se você é um “salvador” repense sobre isso! Ainda dá tempo! Se você é um “pupilo”, comece a abrir-se para suas perdas e adquira a VIDA! Ainda dá tempo!

Clique aqui, faça o teste e descubra se você é “salvador” ou “pupilo”.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.